quarta-feira, 9 de março de 2011

Por que Índia??

Normalmente este deveria ser o primeiro post de um blog sobre uma viagem: qual o motivo de eu ter escolhido este lugar... Mas eu precisava de tempo para saber exatamente porque vim parar aqui, na Índia. 
Acho que com um mês e pouco já consigo entender melhor o que estou fazendo aqui e vou tentar explicar para vocês...

Tecnicamente falando, eu estou fazendo um intercâmbio, trabalhando em uma empresa fabricante e exportadora de tapetes que quer começar a exportar para o Brasil. Quando saí do Brasil, o único tapete que eu tinha foi doado pela minha namorada e, na verdade, quem realmente o usava era o cachorro da minha república.
Processo produtivo, diferentes tipos de design, material e qualidade a gente aprende rapidamente, mas não é bem este tipo de aprendizado que vim buscar aqui...

Para quem (ainda) não sabe, eu estou fazendo este intercâmbio pela AIESEC (www.aiesec.org), reconhecida pela Unesco como a maior organização mundial gerida por estudantes. E para quem tem preguiça de ler o website, assista ao vídeo abaixo da Anna Laura Schimdt, atual Presidente da AIESEC no Brasil.




Pois bem, durante o ano de 2010 eu fui Diretor de Comunicação da AIESEC em São Carlos e agora estou na Índia fazendo meu intercâmbio.

Assim que eu entrei na AIESEC em 2009, sonhava com um intercâmbio para a Europa ou algum país extremamente desenvolvido para viver bem (seja lá o que for viver bem) e ter um diferencial no currículo.
Comecei a me envolver mais com a organização e entendi que o que ela proporcionava não era uma apenas uma viagem, e sim uma experiência de desenvolvimento pessoal, um diferencial para a vida e não apenas para o currículo.
Como era isso o que eu buscava, nada melhor do que sair fortemente da zona de conforto em um país totalmente diferente do meu. Então, quando comecei a minha busca por intercâmbios foquei em lugares “inusitados”...

Comecei buscando países do leste Europeu, como Estônia, Hungria, Ucrânia, República Tcheca e Romênia... Um pouco depois, comecei a pensar que seria interessante aproveitar esta oportunidade em algum país do chamado BRIC (Brasil, Russia, índia e China), países com forte economia em desenvolvimento e com culturas extremamente diferentes.
Nessa linha, depois de algum tempo achei o que procurava! Uma vaga em um país diferente do meu (Índia) para realizar um tipo de trabalho que eu acho interessante para o desenvolvimento profissional.


Agora, depois de um mês, começo a perceber que minha escolha foi assertiva. As situações pelas quais estou passando aqui me mostram que realmente faz sentido as empresas valorizarem tanto a vivência no exterior. E não estou falando apenas do trabalho que estou fazendo ou de como as empresas indianas sobrevivem (e sobressaem)  no mercado mundial, estou falando do aprendizado da vida, das ruas, a melhor escola que o ser humano pode ter. 

Afinal, não é em todo lugar que a gente tem a oportunidade de pedir comida apontando para a foto, barganhar através de linguagem corporal, aprender (muito) com os tecelões da empresa em que trabalha ou morar com pessoas da Sérvia, Polônia, Marrocos, Colombia, Brasil e ainda ter um vizinho brother indiano... Pode ser banal, mas no mundo empresarial tem outro nome: “adaptabilidade a diversos ambientes”, e realmente é algo que sinto estar acontecendo muito com todos ao meu redor aqui.


E tudo isso é facil? Não vou mentir...
Nao é facil você deixar para trás todos que você ama para cruzar o mundo atrás de algo que você nem bem sabe o que é... Apesar de ter pessoas e situações que facilitam, como todos os amigos que estou fazendo para a vida aqui, nao eh facil. Se fosse, não se chamaria “sair da zona de conforto”. E é exatamente isso que torna tudo mais intenso, é exatamente quando penso nisso que valorizo cada vez mais o que estou passando.


Resumindo, estou vivendo uma experiência que nunca imaginei ter, passando por situações um tanto quanto “exóticas” e ainda assim estou sorrindo para todos os problemas.
Afinal um problema nada mais é do que uma oportunidade para você achar uma solução correto?

Termino aqui citando a música Até Quando do Gabriel, o Pensador

“Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro”


Até a próxima!


Ps.: desculpe meus fervorosos seguidores... minha intenção realmente é colocar mais conteúdo aqui mas estou sem meu laptop e, como sou um workaholic tive que viajar para New Delhi a trabalho, muito chato sabe...
Mas juro que conto depois!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A mais linda história de amor...

Pois é.. Vocês provavelmente já sabem sobre o que eu vou falar hoje né? A mais linda história de amor!
Era uma vez um cara chamado Romeu que conheceu a Julieta, menina direita, de boa índole e que sabia cozinhar e passar roupa...

Não.. Não é dessa história que eu estou falando..


O Palácio da Coroa, vulgo Taj Mahal, começou como uma história de amor e hoje em dia é um hino cantado nos quatro cantos do Brasil... Pepepepe peperepere Pe!!
Fotos e história vocês podem ver em muitos websites, mas vou contar aqui a experiência vida loka que tivemos neste último domingo.

Domingo, 8 da madrugada...
Saímos com um carro meio híbrido.. Quando você olha de fora é uma mini-van, quando olha de dentro é metade um carro normal e confortável e a outra metade uma traseira de Jeep desconfortável...
O time: Motorista e Annant (indiano) na frente; Apurva (indiana), Gabi e Grazi (brasileiras) no meio de campo; Soukina (Marrocos), João e eu fechando a zaga...

A viagem começou legal, até falarem para o Annant colocar música.. Acho que ouvimos uns 3 segundos de cada uma das 5 mil musicas do ipod em cerca de 2 minutos.. Gente boa!!
Depois de um tempo conseguimos convencer ele de deixar em uma musica..

Depois de cortar muitos carros/motos/pessoas/vacas e afins, chegamos na rodovia. E lá fomos nós a caminho de Agra, cerca de 240 km de Jaipur.
Paramos algumas (10 mil) vezes para esticar as pernas, ou sei lá o que o motorista fazia para parar tanto...

Na jaula...

Uma das paradas sem sentido


#FAIL
 Por volta das 12h
Chegamos! Sim, foram 240km em 4 horas, em pista dupla!!! Aparentemente tudo aqui leva mais tempo que o normal. Ou talvez este seja o normal e anormais somos nós, que vivemos correndo contra o tempo. Quem sabe...

De qualquer forma, chegamos, mas ainda demoramos mais uma meia hora ou mais para chegar no Taj Mahal. Eu falei que ia ser vida loka né? Pois é, nosso motorista não sabia chegar no local e ficou parando para pedir informação várias vezes. Ah, e quando eu digo parar é no meio da rua mesmo...

Como sabíamos que ficaríamos umas 3/4 horas para visitar tudo, decidimos comer antes de entrar. Finalmente provei a comida indiana!! E achei deliciosa! Tudo bem que pedimos o que tinha de menos apimentado no cardápio, mas é muito saborosa e diferente da comida brasileira. Eu sabia que iria gostar da culinária indiana, mas não imaginei que seria amor a primeira mordida...


 Murg Makhani – Frango bem pouco apimentado
Murg do Plaza – Frango +/- apimentado
Panner Makhani – Queijo parecido com o minas em um molho de curry
Matter Pulao – Arroz com ervilhas e temperos
Roti – algo parecido com aquele pão sírio bem fino

Lá pelas uma e tantas..
(Finalmente) Entramos! Como era um domingo estava extremamente lotado, e não só com turistas branquelos como eu, uns 90% eram indianos.
Motivo: Rs 20 (US$ 0,50) para um indiano entrar, Rs 750 (cerca de US$ 17) para um turista. Acho mais que justo, já que é um patrimônio do país.
Está ai um jeito simples de se promover o turismo no Brasil...

Portão de entrada


 Momento curiosidade, diretamente do www.wikipedia.com:

“A obra foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 20 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no sumptuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal ("A jóia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna.
Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes.”

Brasil e Marrocos

João, Diretor de Comunicação da AIESEC em Joinville em 2010. Atualmente, tem a sorte de ser meu colega de trabalho e a oportunidade de aprender muito comigo...

 Como sempre, japoneses ficam com suas máquinas em forma de bazuca à espreita para tirar as melhores fotos, mas eu fui rápido e consegui tirar algumas também!

Taj Mahal

A única construção que não é simétrica no complexo de palácios é o túmulo do Shah Jahan, que fica ao lado do de sua esposa, dentro do Taj Mahal. Entre todos os palácios existe total simetria.

Mesquita à esquerda
Mesquita à direita


Jardins e Portão de Entrada ao fundo

Eu passando vergonha






Momento Wikipédia 2:

“Um sem-fim de histórias descrevem, muitas vezes com detalhes horripilantes, a morte, desmembramento e mutilação que Shah Jahan teria infligido a vários artesãos relacionados com a construção do mausoléu. Talvez a história mais repetida é a de que como o imperador teve à sua disposição os melhores arquitetos e decoradores, depois de completar o seu trabalho fazia-os cegar e cortar as mãos para que não pudessem voltar a construir um monumento que igualasse a superioridade do Taj Mahal. Nenhuma referência respeitável permite assegurar estas hipóteses, na qual alguns creem, por outro lado, que fosse uma prática bastante comum em relação a alguns grandes monumentos da Antiguidade.”

Parabéns Shah Jahan, você conseguiu...



Resposta para a Bel - É infinitamente mais bonito pessoalmente. Com certeza câmera nenhuma consegue captar toda a beleza deste lugar, nem mesmo as bazucas dos japoneses.
Espero que meus filhos queiram conhecer o Taj em vez do castelo da Disney! Além de economizar muito dinheiro eles ainda vão ver este lugar lindo hehehe

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A viagem

Antes de qualquer coisa, já vou avisando que eu não sou muito bom para escrever ok? Não crie tanta expectativa, afinal só conheço uma pessoa que foi pior que eu em Português na Fuvest (valeu Japoneis hehe)

Enfim, o propósito deste blog é muito simples: em vez de falar a mesma coisa para todos meus amigos várias vezes falarei apenas uma! 
Se alguém vier me perguntar "como foi a viagem Vitinho??" vou responder "olha lá no blog e não reclama!"

Saí de Guarulhos - SP na terça-feira, 23:25 e cheguei em minha casa em Jaipur as 17h de quinta-feira, no horário local. Foram 35 horas de viagem que contarei com carinho para vocês:

Já comecei minha viagem muito bem.. Antes mesmo de sair fui roubado em um bar no Aeroporto...
Meu querido amigo Flávio Eiras, vulgo "Carioca", tem um certo dom: falar várias palavras sem nexo algum e, a partir disso, convencer as pessoas a fazer o que ele quer. 
Pois bem... Carioca queria tomar chopp.. E Carioca convenceu a Bel e a mim que um chopp de 300ml da Sol por R$ 7,50 era tranquilo para a situação!!! Como não vou vê-los por 6 meses, aceitei o convite à extorsão... 
Minha irmãzinha Aline, meu cunhado Daniel (que me ama e está morrendo de saudades) e a Miky (não Micky!!)  também estavam lá, mas não foram assaltados como a gente! 

Finalmente fui para meu embarque.. 
Nada de muito novo no vôo, várias pessoas que gastaram uma boa grana amontoadas em um espaço pequeníssimo, sem poder se mexer direito, dormindo sentadas e sendo obrigadas a confiar no bom trabalho das pessoas que projetaram e fizeram aquele elefante que voa... 

Paro aqui para fazer uma confissão: eu gosto de comida de avião!! Incrivelmente, meu estômago aceita qualquer coisa que tenha um mínimo sabor e ainda acha gostoso.. Acho que não vou ter problemas com a culinária indiana.

Cheguei em Frankfurt umas 14h mais ou menos e já fui correndo pegar o outro vôo que saia as 16:20.. Tomei 2 cafés na sala de espera, afinal "de graça até tiro no peito" né? 

Foto do Aeroporto de Frankfurt.. Frio desgraçado...
Peguei o vôo e nada novo mais uma vez.. A não ser pelo fato de que o comissário de bordo percebeu pela minha cara que eu era brasileiro e pobre.. Ao me oferecer um chocolate na entrada ele disse "pode pegar quantos quiser, é de graça..." hahahaha
Cheguei em Munich as 17h e tive as melhores 2h de espera até meu ultimo vôo. Finalmente puder remediar o fato de ter sido assaltado em Guarulhos!!
Como eu ia pegar um vôo que saia as 19h e chegava as 8h em Delhi (8h de vôo + 5h de fuso) e nem sabia mais se no Brasil era pra eu estar dormindo ou acordado, decidi tomar um santo remédio alemão para este tipo de situação: 

Kumulus - chopp de trigo caseiro de um bar do aeroporto de Munich - 500 ml do puro néctar dos deuses
Sentei no bar e pensei comigo: "você acabou de gastar RS7,40 numa merda de um chopp da Sol, nem que o chopp aqui seja 10 euros você vai tomar pelo menos um!!"
Eis que no cardápio vejo uma linda imagem, o tal chopp de trigo, 500ml, a míseros 2,40 euros!!! VALEEEU CARIOCA!!! TE AMO VIU CARA!!
Um litro se passou e eu me sentia preparado para encarar o resto da viagem.. O remédio me fez tão bem que até aprendi a falar alemão e pedi "Ein Wasser glass und ein coke" no avião... 

Todo perdido com o tal do fuso horário e sentindo o tal do Jet Lag cheguei em Delhi, India. O chão é todo de tapete e eu acredito que seja tapete indiano!! Que chique se for né? Enfim, é só uma curiosidade mesmo, a parte boa está por vir..


Conhece esse cara? É o "Jackson Five", o motoboy...
Em um dia aqui eu já cheguei à conclusão de que todos os motoristas descendem da mesma linhagem que este cara.. Principalmente o taxista que me levou do aeroporto de Delhi até uma rodoviária e o motorista do ônibus que dirigiu 5 horas buzinando sem parar!!!!!!!
E incrivelmente eu não vi nenhum acidente!!

Depois das 5 horas de tortura auditiva cheguei a um ponto na cidade no qual um pessoal da AIESEC daqui me buscou e levou para o apartamento que estou morando aqui. Agora é deixar a perna pra cima pra ver se eu não preciso amputar meu pé depois de deixar ele 35h pra baixo..